Ministério Público Federal reforça pedido de condenação de Vargas por lavagem de dinheiro

Fonte / Autor: G1.GLOBO
Publicado em 16/11/2015

O Ministério Público Federal (MPF) reforçou o pedido de condenação do ex-deputado federal André Vargas pelo crime de lavagem de dinheiro na compra de um imóvel em Londrina, no norte do Paraná.

Investigado na Lava Jato, André Vargas e réu em uma ação penal originada a partir da 11ª fase da operação, deflagrada em abril desde ano, quando o ex-parlamentar foi preso. As alegações finais sobre o processo foram feitas pelo MPF na sexta-feira (13).

O MPF pede também a condenação da esposa de André Vargas, Edilaira Gomes, e do irmão Leon Vargas, também por lavagem de dinheiro. O MPF requer ainda a perda do imóvel adquirido.

Os procuradores acreditam que a transação aconteceu para que André Vargas pudesse esconder parte do dinheiro que teria recebido como propina de uma agência de publicidade que fechou contratos com a Caixa Econômica Federal e com o Ministério da Saúde.

André e Leon Vargas já foram condenados pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em processo da 11ª fase da Operação Lava Jato.
 
A denúncia

Conforme a denúncia, Vargas, a esposa e o irmão compraram um imóvel em Londrina por cerca de R$ 500 mil. A operação, segundo os procuradores, possui indícios de lavagem de dinheiro, já que o imóvel custaria, na verdade, R$ 980 mil.

Conforme as investigações, a família de Vargas adquiriu o imóvel pagando cerca de R$ 320 mil, além de fazer um financiamento para quitar o restante do valor pago ao proprietário.

No entanto, em depoimento, o antigo dono do imóvel afirmou que recebeu os R$ 980 mil de Vargas. A diferença, afirma o MPF, foi paga informalmente, sem constar nos registros de imóveis ou na declaração de imposto de renda.

O Ministério Público Federal diz que o negócio foi feito com a ajuda de Leon Vargas, que negociou com a imobiliária, e com a anuência da esposa, Eidilaira Soares, de André Vargas, que deu o nome para a compra do imóvel.

Vargas nega irregularidade

Ao ser interrogado em audiência realizada no dia 14 de outubro, André Vargas negou irregularidades na compra do imóvel. A esposa de André Vargas, Edilaira Gomes, também foi interrogada – ela aparece como a signatária da compra do imóvel e negou ter participado da negociação. Já o outro réu do processo, Leon Vargas – irmão do ex-parlamentar – preferiu ficar em silêncio.

Segundo André Vargas, que está preso no Complexo Médico-Penal do Paraná, o imóvel foi comprado por R$ 980 mil, que têm origem na venda de um sítio de Edilaira e nas economias do ex-parlamentar. Ele negou ter recebido qualquer valor ilícito ao longo da vida. “Eu trabalho desde os 12 anos (...) neste período eu tive rendimento de R$ 3,6 milhões”, afirmou Vargas.

Questionado sobre o motivo pelo qual a escritura do negócio foi feita no valor de R$ 500 mil, Vargas afirmou que foi um pedido do antigo proprietário, feito ao corretor imobiliário e aceito por ele.

A versão difere da apresentada pelo ex-proprietário, o juiz Eduardo Appio, em depoimento à Justiça Federal no mês de agosto, quando afirmou que o corretor apresentou a proposta de fazer a escritura em valor abaixo do negócio para ajudar a compradora, Edilaira, a pagar menos impostos na transação, uma vez que ela tinha de cuidar do pai doente.

Ainda conforme Vargas, a negociação com Appio foi feita apenas por ele, com intermédio do corretor, sem a participação da esposa ou do irmão. De acordo com o ex-deputado, Leon Vargas apenas o ajudou com a entrega de documentos e pagamentos de parcelas do negócio.